início‎ > ‎interesses pessoais‎ > ‎

Idiomas

Português


 De onde tiraram isso?

1) "Nós vamos estar entrando em contato..."
No Brasil, é quase uma unanimidade no atendimento telefônico aos consumidores.
Parece-me que a origem está na língua Inglesa, no "future continuous tense" ("will be + gerund") ou no "'going to' future" ("be going + infinitive"). Na verdade, é a soma das duas formas ("going to be + gerund").

2) "Mundial de motovelocidade"
O que será "motovelocidade"? Velocidade em movimento? Velocidade do movimento? Deve ter sido adaptado de "motorspeed".
___________________________________________________________________________

 Questões interessantes
1) "Porque" é paroxítono?
Esse "porque" em questão é uma conjunção e não leva acento.
Na Língua Portuguesa, há palavras átonas e tônicas.
"Porque" e  "para" são duas das poucas palavras dissílabas átonas da Língua Portuguesa.
A classificação de palavras em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas refere-se somente às palavras tônicas, por indicar em que posição localiza-se a sílaba tônica na palavra. A classificação é importantíssima, pois é a base para a definição das regras de acentuação.
Portanto, "para" e "porque" são dissílabos átonos e, assim, não são paroxítonas.
Ademais, "pra", "lhe", "se", "me", "mim" etc. são monossílabos átonos.
As tônicas dividem-se em monossílabos, dissílabos, trissílabos e polissílabos  tônicos.
A classificação de oxítonos, paroxítonos e proparoxítonos não inclui os monossílabos tônicos (dê, vê etc.), pois somente têm uma sílaba.
Os dissílabos tônicos podem ser oxítonos ou paroxítonos. Os trissílabos e os polissílabos podem ser oxítonos, paroxítonos ou proparoxítonos.
___________________________________________________________________________
                 Colocação da vírgula.
A regra aqui apresentada não pretende esgotar o assunto, mas apenas servir como dica para, ao menos, evitar os erros mais comuns.
As funções básicas da vírgula são: separar elementos de uma lista ou seqüência e delimitar, na frase, a inserção de uma outra frase, locução palavra.
Na separação de seqüências, a identificação de onde deve ser colocada a vírgula é bastante simples.
No segundo caso, a regra que pode identificar o cabimento ou não da vírgula leva em conta uma espécie de paralelismo: sempre que a frase, locução ou palavra inserta noutra frase ou oração requerer vírgulas, elas virão ao início e ao final da frase, locução ou palavra.
Desde logo deve ser esclarecido que a maior dificuldade na aplicação da regra acima ocorre quando a frase, locução ou palavra inserta em outra frase ou oração estiver no início ou no final do período. Nesses casos, é claro, caberá apenas uma vírgula, pois a outra vírgula iria no início do período, onde não se usa vírgula, ou ao seu final, onde caberá um ponto. A solução é deslocar a frase inserta, de forma a ficar no meio do período.Basicamente, tratam-se as vírgulas, quando não têm função enumerativas, como se tratam os parênteses, com a exceção de que não se usa a vírgula no final ou no fim da frase.
Ademais, a regra tem uma limitação: dela pode-se concluir que ou cabe um par de vírgulas, ou não cabe vírgula, mas não se pode concluir se cabe apenas uma vírgula.
A seguir, alguns exemplos.
1) "As pessoas que estão acostumadas a correr, não sentem dificuldade em andar depressa."
Há duas orações no período acima, o que se identifica, obviamente, pela existência de dois verbos: "estão" e "sentem".
Utilizando a regra exposta anteriormente, sabe-se que, de imediato, que a colocação da vírgula está errada, pois a maneira correta de escrever seria: "As pessoas, que estão acostumadas a correr, não sentem dificuldade em andar depressa" {usando os parênteses, ficaria: "As pessoas (que estão acostumadas a correr) não sentem dificuldade em andar depressa"} ou "As pessoas que estão acostumadas a correr não sentem dificuldade em andar depressa".
Encontrar a solução correta, neste caso, não é difícil, pois na primeira hipótese há um sentido explicativo para a frase inserta, o que não faz sentido. Somente haveria sentido na primeira solução, se todas as pessoas estivessem acostumadas a correr, o que não é admissível. Em outras situações, como a do exemplo seguinte, a escolha da solução correta pode depender do sentido que o período pretende expressar.
Assim, nesse primeiro exemplo, a solução correta é a segunda, sem a colocação de qualquer vírgula. Para quem gosta de análise sintática, basta notar que na frase proposta "As pessoas que estão acostumadas a correr" é o sujeito (oração subordinada substantiva subjetiva) da oração de período composto. Como não se deve separar o sujeito do verbo, quando estiverem na ordem direta, a colocação da vírgula seria incorreta.

2) "As crianças que estão brincando, vão ficar famintas".
Aplicando a regra da mesma forma que no item anterior, teríamos duas soluções: "As crianças, que estão brincando, vão ficar famintas" {"As crianças (que estão brincando) vão ficar famintas"} ou "As crianças que estão brincando vão ficar famintas".
Nesse caso, a solução correta dependerá do sentido da frase. Se todas as crianças estão brincando e a oração inserta tem significado explicativo, então cabem duas vírgulas; caso se tenha pretendido dizer que somente as crianças que estão brincando ficarão famintas, descabem as vírgulas.
3) "Quem ama, educa!" {(Quem ama) educa!"}
O mestre Içami Tiba, a quem muito admiro, terá de me desculpar por usar o título de seu livro como exemplo.
Nesse caso, ocorre exatamente a dificuldade anteriormente apontada de uma das orações ("Quem ama") estar no início do período e a outra("educa"), no final. Assim, poderíamos trocar o sujeito da primeira oração (Quem ama) por "Aquele que", obtendo "Aquele que ama, educa!".
Utilizando a regra como anteriormente explicado, obtém-se como única solução "Aquele que ama educa!", pois não seria admissível, no caso, "Aquele, que ama, educa!" {"Aquele (que ama) educa!"}.
4) "Não entra, quem tem mente sã, em mar infestado de tubarões".
A alternativa à forma acima assumida seria a retirada das duas vírgulas: "Não entra quem tem mente sã em mar infestado de tubarões".
Há uma inversão, que exige as vírgulas ("Quem tem mente sã não entra em mar infestado de tubarões").
5) "A vírgula de Saramago"
Recentemente, no "site" "Ciberdúvidas" ( http://ciberduvidas.sapo.pt/controversias/index.html ), surgiu uma controvérsia interessante sobre a colocação de uma vírgula em texto de José Saramago, escrito especialmente paro o "site" (http://ciberduvidas.sapo.pt/controversias/310303.html).
A frase é a seguinte: "Hoje, uma língua que não se defende, morre."
Sem entrar em críticas ao autor ou ao "site", já que cometer erros, mais do que possível, é provável, o exemplo vem bem a calhar para análise da regra do paralelismo.
Como não se trata de uma enumeração, na frase, em príncípio, caberia um número par de vírgulas. Entretanto, como "Hoje" está no começo da frase, somente há uma vírgula separando o advérbio do restante da oração. Assim, em relação á primeira vírgula, a questão está resolvida.
Em relação à frase que está no meio da oração ("que não se defende"), portanto, haveria duas opções: "Hoje, uma língua que não se defende morre" (oração adjetiva restritiva) ou "Hoje, uma língua, que não se defende, morre" (oração adjetiva explicativa).
A afirmação, no entanto, não admite a oração explicativa, pois o que quis dizer o autor foi que, hoje, toda língua que não se defende morre.
A solução defendida pelo "site" foi de que a oração principal seria "hoje morre" e que a outra oração ("uma língua que não se defende") estaria inserta na primeira. Entretanto, é certo que o sujeito de "morre" é "uma língua que não se defende", pois não pode existir um sujeito oculto nesse contexto (qual seria, então, o predicado de "uma língua que não se defende"?).
6) "Quem sabe, sabe" ou "Quem sabe sabe".
Para aplicar a regra, faz-se necessário aplicar o mesmo artifício do exemplo anterior:
"Aquele que sabe, sabe" ou "Aquele que sabe sabe"?
A primeira opção está descartada, uma vez que há somente uma vírgula. A alternativa seria, então, "aquele, que sabe, sabe".
Essa última hipótese, no entanto, somente seria aplicável se se tratasse de oração explicativa, o que não é o caso, pois a frase original não contém oração explicativa.
O correto, portanto, é "quem sabe sabe".
A análise sintática não deixa dúvidas.
"Quem sabe" é uma oração completa, sendo "quem" o sujeito e "sabe" o predicado.
"Quem sabe" é uma oração subordinada substantiva subjetiva e, portanto, é o sujeito do segundo "sabe". Como não se separa o sujeito do verbo por vírgula, não pode haver a vírgula.

___________________________________________________________________________
 Erros comuns:

ERRADO

      

"A" implica em "B"

O estágio de desenvolvimento

Em face a / face a

O fato subsume-se à norma
 CORRETO

      

"A" implica "B"

O estádio de desenvolvimento ...

Em face de

O fato subsome-se à norma



      
___________________________________________________________________________
             "Eu costumo dizer que ...":

            Em palestras, discursos etc., é comum ouvir pessoas dizerem  "Eu constumo dizer que ...", ao fazerem comentários sobre algum aspecto relacionado ao tema sobre o qual estão falando.
            Originalmente, a expressão era usada para fazer refência a alguma citação notável de alguém que já tratara anteriormente do assunto. Por exemplo: "Alfredo Augusto Becker costumava dizer que, no Brasil, havia um 'manicômio tributário'".
            Alfredo Becker criou a expressão para caracterizar a forma como os estudiosos de direito tributário, no Brasil, comportavam-se diante do direito tributário, pregando idéias como a sua autonomia em relação aos demais ramos do direito etc.
            Portanto, a técnica servia (e ainda serve) para citar a opinião de uma autoridade na matéria, expressa numa frase por ela criada.
            Quando o expositor utiliza a técnica na primeira pessoal, demonstra, primeiramente, desconhecimento de sua origem e, além disso, toma uma atitude de pouco modéstia, ao se autoproclamar criador de um chavão, que deve ser adotado pelos demais.
            Sem contar algumas outras impropriedades, como a citação de algo que sequer foi criado pelo expositor ou que é óbvio demais: "Eu costumo dizer que a sociedade brasileira é de extremos sociais".
________________________________________________________

Inglês

1) "Eventually" não significa "eventualmente", mas "no fim", "finalmente" etc.

2) Na festa de entrega do Oscar de 1995, Whoopy Gooldberg foi a apresentadora. No anúncio da canção "Colors Of The Wind", do filme Pocahontas, fez uma brincadeira sem-graça, perguntado algo do gênero "What would be the color of my wind?", dando uma olhada sutil para trás.
Na Folha de São Paulo do dia seguinte, fizeram um comentário a respeito da brincadeira, falando em "papo-cabeça", ou coisa parecida, e traduzindo a frase como "qual seria a cor do meu vento?".
Não entenderam nada. É que "wind" também significa flato (usando um sinônimo mais sugestivo: ventosidade). Nem aquela olhada sutil foi suficiente para entenderem a piada (de muito mal gosto!).

3) O "shire" do nome da raça de cães "Yorkshire terrier" deve ser pronunciado como "chiir" (shir, sh&r) e não como "chairi" (shIr). "Shire" é um sufixo utilizado para indicar regiões administrativas. Na Inglaterra, "shire" pode ser equivalente a condado ("county").
Embora a palavra "shire" seja pronunciada isoladamente como "chairi", como no caso de "The Shire" dos hobbits, em O senhor dos anéis, na função de sufixo deve ser pronunciada como "chiir".
A regra vale para "New hampshire", "Standfordshire",  "Bedfordshire" etc.
Consulte "shire" na Enciclopédia Britânica.
Outro erro comum na pronúncia é o de "pinscher", das raças de cães "Miniature Pinscher" e "Dobermann Pinscher": é comum ouvir-se "pintcher", mas o correto é "pincher", em razão do "s" antes do "ch".

Comments